Não posso discordar de nada do que você escreveu, é um ponto que já vi muita vez, como você mesmo reconhece, mas acho que você deixa passar uma coisa sobre por que essas meninas escolhem esse estilo de vida logo de início.
O lance de ser autônoma é um atrativo pelo menos tão grande quanto o dinheiro. Dá pra ver a mesma coisa com criadores do youtube, só que quando eles diminuem o ritmo ou largam ninguém chama de preguiçoso, porque se entende que é uma vida estranha e o burnout é inevitável.
Tem que se perguntar por que essas meninas não estão num emprego normal, pra começo de conversa. Provavelmente tem mais repulsa pelo 9-5 do que atração pelo trabalho sexual. Nem todas, claro, mas imagino que coisas tipo tdah/autismo sejam comuns, ou pelo menos algum problema de saúde mental. Aí vem toda a pressão de ser criadora, a burocracia imprevista, os horários inesperados, etc. pra alguém talvez pouco confiável que escolheu o estilo de vida por causa da rotina flexível e de repente descobre que precisa manter uma rotina igual a de emprego normal – só que não é capaz. Isso leva à depressão, ao ódio de si mesma e a uma espiral pra baixo.
Por mais dramático que pareça, ter sucesso a longo prazo nesse ramo é a exceção, não a regra. É raro as meninas que escolhem isso serem realmente boas nisso. A Luna Roux provavelmente odeia esse trabalho e queria ter largado anos atrás, mas simplesmente não consegue outro emprego